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Julie Eloy* dgc.saudebucal@saude.ba.gov.br

Na terceira coluna da Série voltada para os (as) coordenadores(as) municipais de Saúde Bucal vamos abordar mais uma Semana de Mobilização da Saúde Bucal Brasileira: a Semana Nacional de Prevenção do Câncer Bucal.

A Lei Federal n° 13.230, de 28 de dezembro de 2015, instituiu a Semana Nacional de Prevenção do Câncer Bucal, que é celebrada, anualmente, na primeira semana de novembro. Segundo o Art. 2º desta lei, as ações desenvolvidas pelos municípios nesta Semana têm os seguintes objetivos:
I – estimular ações preventivas e campanhas educativas relacionadas ao câncer bucal;
II – promover debates e outros eventos sobre as políticas públicas de atenção integral às pessoas acometidas pelo câncer bucal;
III – apoiar as atividades organizadas e desenvolvidas pela sociedade civil em prol do controle do câncer bucal; e, IV – difundir os avanços técnico-científicos relacionados ao câncer bucal.
Durante toda esta semana, o Ministério da Saúde (MS) realiza ações de comunicação, nas redes sociais, TV e rádio, para informar o que é a doença, como preveni-la, e orientar sobre onde e quais os serviços de saúde bucal estão disponíveis à população no Sistema Único de Saúde (SUS). A Coordenação Geral de Saúde Bucal do MS também criou uma página exclusiva sobre este tema em seu portal (http://www.saude.gov.br/saude-de-a-z/cancer-de-boca)

Seguindo,  o que determina a Lei, a Área Técnica de Saúde Bucal sugere aos coordenadores municipais de saúde bucal o desenvolvimento de ações voltadas para este tema em seu município. Ações voltadas para a população em geral, que devem priorizar os homens com idade superior a 50 anos, fumantes e consumidores frequentes de bebidas alcoólicas, uma vez que esta parcela da população possui  mais chances de adoecer. Na Bahia, por exemplo, a estimativa de novos casos de câncer de boca para 2018, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), são de 8,90 casos para cada 100 mil homens e 2,39 casos para cada 100 mil mulheres. No ano de 2017, 385 baianos (282 homens e 103 mulheres) foram a óbito por conta dos cânceres de lábio e cavidade oral (CID-10 de C00 a C10).

Cumpri-nos destacar que o diagnóstico inicial permite tratamento com melhor resultado funcional, visto que tumores diagnosticados em estágios mais avançados vão implicar em tratamentos mais agressivos com maior chance de sequelas. Além disto, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que a prevenção pode ajudar a reduzir a incidência de câncer em até 25% até 2025.

Nesta perspectiva, orientamos aos gestores municipais que aproveitem esta Semana Nacional de prevenção do Câncer de Boca para desenvolverem também ações de Educação Permanente voltadas para os profissionais de saúde da Atenção Primária. Qualificação para os profissionais das equipes de Saúde Bucal com ênfase no diagnóstico precoce e para os demais membros da equipe multidisiciplinar da Rede SUS do município, para a suspeita diagnóstica e encaminhamento para consultas odontológicas. Para esta ação sugerimos ainda o trabalho conjunto com os agentes comunitários, que serão de extrema importância na busca ativa de usuários do grupo de risco elevado.

Falando em um assunto tão complexo como o câncer de boca e entendendo que a primeira avaliação, após suspeita diagnóstica, associada a exames complementares determinará o tratamento mais indicado, entende-se que o usuário precisará seguir um itinerário terapêutico.

As biópsias (exame de um fragmento da lesão), por exemplo, geralmente são realizadas nos Centros de Especialidades Odontológicas (CEOs) ou Policlínicas especializadas. A radioterapia e a quimioterapia, por sua vez, que são indicadas quando a cirurgia não é possível ou quando o tratamento cirúrgico traria sequelas funcionais importantes e complicadas para a reabilitação funcional e a qualidade de vida do paciente, são realizadas em dispositivos de saúde com nível de complexidade maior que a Atenção Primária, nas UNACONs e CACONs.

Sendo assim, para que este itinerário terapêutico seja percorrido pelo usuário em tempo hábil e da forma mais resolutiva possível, é necessário, além do cuidado interdisciplinar, o conhecimento da Rede de Atenção de Saúde disponível no município ou na Região de Saúde. E, falando em Rede…. A Rede de Atenção à Saúde Bucal será o tema da nossa próxima coluna… Aguardem!

Fontes:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/L13230.htm
https://mortalidade.inca.gov.br/MortalidadeWeb/
http://www1.inca.gov.br/estimativa/2018/mapa-cavidade-oral.asp

Material para ação educativa:

A Área Técnica de Saúde Bucal da SESAB pode ser contactada pelo telefone (71) 3115-8421, ou pelo e-mail : dgc.saudebucal@saude.ba.gov.br

*Odontóloga e sanitarista – Área Técnica de Saúde Bucal – ATSB da Diretoria de Gestão do Cuidado – DGC.

Leia as outras colunas da Série:  Qualificando a Rede de Atenção à Saúde Bucal

SÉRIE: Qualificando a Rede de Atenção à Saúde Bucal – Parte 1

Série: Qualificando a Rede de Atenção à Saúde Bucal – Parte 2