COMPARTILHE

O Protocolo da Atenção Básica: Saúde das mulheres traz, com base nas evidências existentes, que a ultrassonografia de rotina nas gestantes de baixo risco não confere benefícios à mãe ou ao recém-nascido (grau de recomendação A). Quando indicada, a ultrassonografia precoce pode auxiliar no diagnóstico oportuno das gestações múltiplas, na datação mais acurada da idade gestacional, reduzindo, dessa forma, o número de induções por gestação prolongada, além de evidenciar a viabilidade fetal¹. Nestes casos, preferencialmente deve ser realizada por via transvaginal entre a 6ª e a 12ª semana de gravidez.

Ainda de acordo com as recomendações do Protocolo de Atenção Básica: Saúde das mulheres, orienta o seguinte:

USG Morfológica:

1º trimestre – Entre a 11ª e a 13ª semana de gestação, a medida da translucência nucal (TN) associada à idade materna identifica cerca de 75% dos casos de trissomia do cromossomo. No entanto, a indicação deste exame deve estar sempre sujeita à disponibilidade local de recursos e ao desejo dos pais de realizar o exame após esclarecimentos sobre as implicações do exame, indicação, limitações, riscos de falso positivos e falso negativos (grau de recomendação B)¹.

Deve-se também ponderar sobre a qualificação da equipe responsável pelo rastreamento, a necessidade de complementar o exame com pesquisa de cariótipo fetal nos casos de TN aumentada, a implicação psicológica do teste positivo (incluindo falso positivos) e o impacto no nascimento de portadores da síndrome genética¹.

2º trimestre – Entre 18 e 22 semanas, os órgãos fetais já estão formados e são de visualização mais precisa, de modo que este é o momento mais adequado para fazer o rastreamento de malformações, caso se opte por fazê-lo¹.

Apesar de aumentar a taxa de detecção das malformações congênitas, não existem evidências de que a USG em gestantes de baixo risco melhore o prognóstico perinatal (grau de recomendação A)¹.

A ultrassonografia de rotina não melhora o prognóstico perinatal isoladamente em gestações de baixo risco e deve ser indicada apenas quando existem dúvidas quanto à data da última menstruação (DUM). Não há evidências apoiando sua indicação rotineira com o propósito de melhorar o prognóstico perinatal. Não existem protocolos ou estudos que justifiquem a realização de um número máximo ou mínimo de ultrassonografia obstétrica (US). Uma revisão sistemática mostra que o uso da ultrassonografia precoce influencia alguns desfechos, como a detecção mais precoce de gestação múltipla e de malformações fetais. Porém, nenhum desfecho clinicamente significativo (morbidade ou mortalidade perinatal) se mostrou associado com o uso de rotina da ultrassonografia. Assim, o uso da ultrassonografia precoce de rotina na gestação não se justifica em nosso meio, pois não modifica nenhum desfecho clínico importante. Além disso, a detecção precoce de malformações fetais, sem suspeita clínica, tem utilidade limitada, pelo fato de a interrupção provocada da gestação não ser permitida. De um modo geral, portanto, a ultrassonografia com menos de 24 semanas deve ser solicitada apenas para as gestantes que tiverem indicações específicas¹ ²(A).

 

Referências:

 

  1. Brasil. Ministério da Saúde. Protocolos da Atenção Básica : Saúde das Mulheres / Ministério da Saúde, Instituto Sírio-Libanês de Ensino e Pesquisa – Brasília : Ministério da Saúde, 2016.

 

  1. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Atenção ao pré-natal de baixo risco [recurso eletrônico] / Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. – 1. ed. rev. – Brasília : Editora do Ministério da Saúde, 2013.

 

  1. Brasil. Ministério da Saúde. Biblioteca virtual em Saúde. SOF Qual a quantidade mínima e máxima de ecografias obstétricas durante a gestação? Há relação entre o número de ultrassonografias e prematuridade, malformações ou déficits cognitivos nas crianças?Telessaúde Rio Grande do Sul. 11 de março de 2013.ID: sof-5398. Disponível em<http://aps.bvs.br/aps/qual-e-a-quantidade-minima-e-maxima-de-ecografias-obstetricas-recomendadas-durante-a-gestacao-ha-alguma-evidencia-do-aumento-no-numero-de-ultrassonografias-realizadas-pelas-gestantes-ha-relacao-com/< Acesso em: 09 de junho 2020.