COMPARTILHE

São muitos dilemas experimentados e inúmeras vulnerabilidades que necessitam de compreensão, monitoramento e articulação com outros setores para o alcance da promoção da saúde. Esse tipo de abordagem é interessante construir junto com a sua equipe de acordo com a sua realidade local e as situações identificadas. Pois, ao tratar da atenção social as famílias, a vulnerabilidade tem um conceito muito complexo e multifacetado, se relacionando com a exposição das pessoas às questões próprias do ciclo geracional, das relações sociais, da dinâmica dos territórios, da qualidade do acesso a trabalho, renda e serviços.

Enquanto Agente Comunitário de Saúde, um bom processo de comunicação, a escuta, a observação e a interação são fundamentais para pensar nesses grupos de maior vulnerabilidade. Assim, pode-se pensar numa construção de novas práticas em saúde, na perspectiva da percepção de outras formas de fazer e cuidar, potencializando ações de promoção e prevenção de saúde na comunidade¹. Outro ponto a se considerar é discutir cada caso com a sua equipe e encaminhar estes casos para o CRAS.  Dessa forma, vale ressaltar que a falta de prevenção ou o aprofundamento das situações de vulnerabilidade poderão originar situações de risco social decorrentes da exposição à violência, exploração, negligência, dentre outras violações. Por exemplo, a pobreza é um elemento de vulnerabilidade social que pode agravá-la e potencializar o risco. Outro fator é que os episódios de tensão social que geram a criminalidade, a mortalidade e até a descompensação no processo saúde-doença física e mental são situações constituidoras da vida do território e requisitam atenção e cuidado, por isso é importante o diálogo com demais profissionais da equipe¹.

Sendo assim, o processo de trabalho do ACS deve considerar os aspectos mencionados, sendo a saúde da população e seus fatores determinantes atrelados ao contexto local, como por exemplo: violência; demandas psicossociais; clínica do cotidiano.

No território vivo, é preciso praticar uma atenção que se instrumentalize para o processo de cuidado. É na construção dos vínculos sociais, no enfrentamento das adversidades ambientais e no reconhecimento das vulnerabilidades e riscos do contexto comunitário que a atenção pode absorver e compartilhar elementos potenciais para a integralidade.

Referência

  1. Pinto et Vivências na Estratégia Saúde da Família: demandas e vulnerabilidades no território. Rev. Bras. Enferm. vol.70 no.5 Brasília set./out. 2017. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-71672017000500920&lng=pt&tlng=pt. Acesso em: 07/11/2019.

Teleconsultoria respondida por Elis Carla C. M. Silva: Teleconsultora de Enfermagem do Telessaúde BA. Enfermeira Especialista em Atenção Básica com ênfase em Saúde da Família e em Micropolítica da Gestão e do Trabalho em Saúde.