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A úlcera venosa (ou varicosa) é causada por hipertensão venosa, portanto, algumas medidas devem ser tomadas para diminuir a hipertensão e sua repercussão na macrocirculação e microcirculação¹ ².

Os principais métodos destinados à cicatrização da úlcera são a terapia compressiva, tratamento local da úlcera, medicamentos sistêmicos e tratamento cirúrgico da anormalidade venosa. Com relação à terapia tópica para úlcera venosa, não há consenso entre os estudiosos e especialistas, devendo as diferentes opções – hidrocoloide, hidrogel, alginato de cálcio e outros em associação à terapia compressiva¹. 

Antes de tudo, é necessário se atentar para o grau de vulnerabilidade e riscos que o paciente possa apresentar. A alteração cardiovascular em associação com o isolamento, uma alimentação inadequada, a forma que está sendo feita esse curativo, são situações que também podem comprometer o sucesso terapêutico por melhor que seja o tratamento médico.

Verifique junto ao médico a possibilidade de encaminhamento do paciente, considerando a necessidade quanto ao uso da terapia compressiva, sendo fundamental para se alcançar uma boa recuperação, pois age na macrocirculação, aumentando o retorno venoso profundo, diminuindo o refluxo patológico durante a deambulação e aumentando o volume de ejeção durante a ativação dos músculos da panturrilha. A compressão do membro aumenta a pressão tissular favorecendo a reabsorção do edema e melhorando a drenagem linfática. Além disso, age na microcirculação diminuindo a saída de líquidos e macromoléculas dos capilares e vênulas para o interstício, podendo estimular também a atividade fibrinolítica. Para atingir os benefícios da compressão o paciente deve ser estimulado a deambular².

Outros cuidados que são importantes¹:

– O uso de água e sabão para limpeza das úlceras venosas mostra graus de citotoxicidade em fibroblastos, por isso, deve-se orientar o paciente para que evite lavar a ferida com água e sabão;

– Há ausência de estudos clínicos sobre o emprego de antissépticos na terapia tópica de feridas crônicas, fica a indefinição sobre os benefícios no tratamento;

– O uso de pomadas com antibióticos no tratamento de feridas colonizadas NÃO é recomendado por protocolos clínicos internacionais e brasileiros. Estudos apontam elevadas taxas de sensibilização de contato com a neomicina e outros produtos tópicos utilizados em pacientes com úlcera venosa;

– Quanto ao emprego do óleo de girassol, um estudo experimental em carneiros mostrou um aumento da taxa de cicatrização das feridas nesses animais em comparação aos tratados com vaselina. Contudo, não há estudos clínicos randomizados em humanos que indiquem sua utilização em feridas crônicas;

– Sobre as coberturas, como Alginato de Cálcio, espuma de poliuretano, hidrocoloide, entre outras, deve ser indicada levando em conta a presença de tecido necrótico, granulação, exsudato e infecção da ferida. Não há consenso quanto à indicação de coberturas para o tratamento tópico de úlceras venosas. No entanto, quando essas são utilizadas, é necessário que sejam associadas à terapia compressiva.

– O repouso e os  exercícios físicos devem ser associados à terapia compressiva, à medida que ambos diminuem os efeitos da hipertensão venosa. Breves caminhadas devem ser encorajadas, em especial, quando associadas à terapia de compressão, facilitando o retorno venoso.

Seguem algumas medidas complementares de tratamento¹

– Uma orientação adequada de repouso é muito valiosa para se obter cicatrização da úlcera, pois diminui os efeitos da hipertensão venosa. O repouso deve ser realizado com o membro inferior elevado acima do nível do coração cerca de três a quatro vezes durante o dia e por 30 minutos. Durante a noite a elevação do membro é obtida por elevação dos pés do leito em altura que varia de 15 a 20cm. Essa medida não deve ser realizada em casos de associação com doença arterial.

– Breves caminhadas, três a quatro vezes por dia, devem ser estimuladas. Além disso, os pacientes devem ser orientados a manter o peso dentro da faixa de normalidade e evitar o tabagismo. Drenagem linfática manual e fisioterapia para melhorar a mobilidade da articulação do tornozelo são medidas necessárias em alguns pacientes.

No Brasil, recomenda-se a limpeza da ferida com solução fisiológica 0,9% morna, em jato. Esta técnica é usada para remoção de corpos estranhos, tecidos frouxos aderidos, além de manter o tecido de granulação recém-formado. Contudo, estudos internacionais indicam o uso de água potável em temperatura ambiente, pois a mesma não mostra índice de infecção significativo, quando comparada com solução salina estéril. A água de torneira também é referendada pelos protocolos da Irlanda e da Inglaterra para limpeza de úlceras de pernas.

 Bibliografia selecionada

  1. SILVA etal. Manejo clínico de úlceras venosas na atenção primária à saúde. Acta Paul Enferm. 2012, 25(3):329-33. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/ape/v25n3/v25n3a02.pdf> Acesso em: 04/02/2019
  2. ABBADE, L. P. F.; LASTORIA, S. Abordagem de pacientes com úlcera da perna de etiologia venosa. An. Bras. Dermatol.,  Rio de Janeiro ,  v. 81, n. 6, p. 509-522, Dec.  2006 Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0365-05962006000600002&lng=en&nrm=iso>. Acesso em: 04/02/2019.