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         A Federação Internacional de Diabetes informou que o número de pessoas acometidas com diabetes, em todo o mundo, ultrapassa 250 milhões. São números expressivos que alertam para a sua expansão para 380 milhões em 2025, com tendências para os países em desenvolvimento. 

        De acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes, no Brasil existem, atualmente, mais de 16,8 milhões de pessoas com diabetes, sendo o 5º país no mundo em números de casos. Importante ressaltar que o grande problema é a falta de diagnóstico precoce, tratamento imediato e o acompanhamento da patologia, além da fragilidade dos serviços de saúde em todos os níveis de atenção. Infelizmente, nem todas as pessoas com diabetes, e seus familiares/cuidadores, são bem orientados em relação à doença e suas consequências, o que pode agravar o seu controle, favorecendo o surgimento de complicações micro e macro vasculares.

        Com esse raciocínio, os profissionais de saúde envolvidos no cuidado com o diabetes têm a responsabilidade de compartilhar com as pessoas com diabetes conhecimentos atuais sobre as diferentes opções de tratamento a fim de atingir um bom controle. De forma processual, e contínua, a educação em diabetes deve ser incorporada nas rotinas de serviços de saúde em todos os níveis de atenção como um dos pilares do tratamento; além do que, muitos profissionais de saúde, gestores, pacientes e familiares ainda demonstram desconhecer que a pessoa com diabetes tem direito, como preconiza a Lei Federal nº 11.347/2006 (Lei de Proteção ao Diabetes).

         Estudos mostram que a prática educativa centrada no diálogo e, na troca de saberes: valoriza o conhecimento popular; estimula e respeita a autonomia do sujeito no cuidado de sua própria saúde; e, incentiva à participação ativa no controle social, com vistas a contribuir para melhoria das condições de vida e de saúde. Nessa perspectiva, os profissionais de saúde e as pessoas com diabetes vão experimentar bons resultados, tais como: menores níveis de hemoglobina glicada, redução de peso, melhora na qualidade de vida, maior facilidade na aceitação da doença e custos mais baixos. 

        Para que os processos educativos sejam abordados pelos profissionais será necessário a utilização de ferramentas educativas disponíveis nos locais de trabalho; lembrando que os recursos midiáticos, a Internet e as tecnologias da informação, são muito utilizados no cotidiano desses profissionais.

       Os games, webconferências, sites otimizados para dispositivos móveis e aplicativos para celular, podcast, YouTube e demais dispositivos nas redes sociais são estratégias benéficas, inclusive relatadas em estudos. É preciso lembrar aos profissionais de saúde que alertem as pessoas com diabetes quanto a origem das informações captadas on-line. Com a popularização do acesso à Internet, há muitas informações não fidedignas (fake news) e só com uma boa abordagem educacional a pessoa com diabetes e familiares poderão perceber os riscos e os benefícios à sua saúde.

         Por fim, para a promoção da saúde no campo do diabetes, os profissionais envolvidos na educação em diabetes precisam ser qualificados e atualizados. É importante que eles possam estabelecer uma relação empática com as pessoas com diabetes e seus familiares permitindo que eles possam gerenciar seus desafios diários e futuros na convivência com a patologia. Os ganhos por meio do trabalho educativo são imprescindíveis, principalmente quando há consciência da necessidade da combinação entre: a difusão do conhecimento, a habilidade para planejar e lidar com as pessoas e, ainda, a atitude para a manutenção desse processo educativo e a identificação de problemas.

 

Elaboração do texto: 

Julia de Fátima Coutinho, Bacharel em Serviço Social, advogada (OAB-Ba 30924), especialista em Direito à Saúde, coordenadora de Desenvolvimento e Apoio à Rede da SESAB/Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia.

 

Referências:

1.SBD – Sociedade Brasileira de Diabetes. Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes 2019-2020. São Paulo: Clannad, 2019. 

2.AMERICAN DIABETES ASSOCIATION. Disponível em: www.diabetes.org. Acesso em 01 de set. de 2017.