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Os testes para detectar dengue já estão bem-estabelecidos no Brasil, no entanto alguns apresentam reação cruzada com outras doenças e resultado falso positivo-negativo. Por isso, é importante que o profissional analise os resultados considerando o quadro clínico do paciente e a situação endêmica local. Quando uma região está passando por uma epidemia de dengue, o diagnóstico pode ser feito apenas pela sintomatologia (este critério dependerá de orientações da vigilância sanitária local) e dados epidemiológicos locais. Os critérios de indicação de realização dos exames de diagnóstico etiológico também podem variar de acordo com a situação epidemiológica e também se a doença está na fase aguda (inicial) ou não.

Na fase inicial da doença ou fase aguda, podem ser feitos alguns exames para auxiliar o diagnóstico da dengue. O teste para antígeno NS1 (proteína produzida intensamente pelo vírus da dengue) e o teste molecular ou PCR, que avalia o RNA do vírus. Estes são métodos disponíveis geralmente nos laboratórios de referência estaduais e nacionais, seu uso deve, sempre, ser discutido com os integrantes das equipes de Vigilância Epidemiológica; recomenda-se a realização nos primeiros três dias da doença, podendo ser realizado até o quinto dia. Pode ser utilizado também o teste rápido IgG/IgM, utilizado para triagem inicial da doença.

Detecção do ácido nucleico viral pelo método da Transcrição Reversa seguida da Reação em Cadeia da Polimerase (RT–PCR): não é utilizada na rotina diagnóstica por se tratar de uma técnica dispendiosa. É de grande importância nos casos em que as técnicas de rotina foram insuficientes para a definição diagnóstica, especialmente naqueles que evoluíram para óbito. O método pode ser realizado em amostras de sangue, soro, líquido cefalorraquidiano (LCR), fragmentos de vísceras (fígado, baço, linfonodos, coração, pulmão, rim e cérebro) e ainda em lotes de mosquitos vetores. A amostra deve ser armazenada e conservada em freezer -70ºC ou nitrogênio líquido.

 Dengue antígeno NS1 (Teste rápido da dengue): é a nova ferramenta diagnóstica e se trata de um teste qualitativo, usado na detecção da antigenemia NS1 da dengue pela técnica Elisa de captura; auxilia no diagnóstico sorológico da doença em amostras colhidas principalmente até o terceiro dia do início dos sintomas; o ideal é que a amostra seja colhida no primeiro dia dos sintomas, o que, muitas vezes, permitirá a liberação do resultado antes do momento de efervescência da febre; seu desempenho é equivalente ao do RT-PCR, porém, não permite a identificação do sorotipo. Atualmente, o Ministério da Saúde disponibiliza kits para o uso em amostras de unidades-sentinela de monitoramento do vírus da dengue. O uso da proteína NS1 tem uma alta especificidade (82 a 100%), mas tem moderada sensibilidade (mediana 64%, intervalo de 34-72%), de acordo com Guzman (2010). De acordo com o estudo de Chatterji (2011), a sensibilidade é mais baixa nas infecções secundárias, quando comparada com as infecções primarias. O teste NS1 negativo não exclui a possibilidade da doença. Conclui-se, portanto, é um teste rápido, qualitativo, de detecção precoce – 1 a 3 dias de doença. Pode estar presente até 9-10 dias do início dos sintomas, mas sua detecção é mais difícil após a soroconversão. Portanto, a presença do antígeno NS1 é indicativo de doença aguda e ativa. Já um resultado negativo, diante de um quadro suspeito de dengue, não exclui o diagnóstico.

Método Elisa IgM e IgGteste rápido, baseado na detecção qualitativa e diferencial de anticorpos IgM e IgG, permite diagnóstico ou descarte, em curto espaço de tempo. É utilizado para triagem inicial e as amostras reativas devem ser confirmadas por ensaios imunoenzimáticos (ex. ELISA) ou outros ensaios imunológicos.

A partir do 6° dia da doença é possível detectar apenas os anticorpos: o IgM, produzido na fase aguda, e o IgG, que demora mais a ser produzido. Geralmente, o IgG detecta uma infecção antiga, mas, a partir do 8º a 10º dia de sintomas, já pode dar positivo para uma doença recente.

Dentre os exames sorológicos a serem realizados após o 6° dia estão:

Método Elisa IgM – baseado em detecção de anticorpo, este método costuma positivar após o sexto dia da doença. Detecta o anticorpo de defesa presente no organismo que tem doença ativa

Método Elisa IgG – baseado em detecção de anticorpo, este método costuma positivar a partir do nono dia de doença, na infecção primaria, e já estar detectável desde o primeiro dia de doença na infecção secundária. Detecta anticorpo presente no organismo que teve infecção passada

Outros exames também podem ser utilizados para o diagnóstico da dengue:

Isolamento viral: é considerado o método mais específico (padrão ouro) para o isolamento e a identificação do sorotipo do VDEN responsável pela infecção. Pode ser realizado em amostras de sangue, líquido cefalorraquidiano (LCR) e fragmentos de vísceras (fígado, baço, coração, pulmão, rim e cérebro). O período recomendado para colheita da amostra de sangue é de, preferencialmente, até o quarto dia do início dos sintomas, durante o período de viremia. A coleta de espécimes biológicos para isolamento viral deve ser orientada pela Vigilância Epidemiológica, respeitando-se a capacidade dos laboratórios de referência. A amostra deve ser armazenada e conservada em freezer -70º C ou nitrogênio líquido.

Imuno-histoquímica: permite a detecção de antígenos virais em cortes de tecidos fixados em formalina e emblocados em parafina, corados pela fosfatase alcalina ou peroxidase marcada com anticorpo específico. Essa técnica é bastante sensível e específica e deve ser utilizada após o diagnóstico histopatológico presuntivo.

Hemograma e plaquetas – Pode ser realizado em alguns casos. A periodicidade de repetição do exame ao longo do período de acompanhamento clínico do paciente irá depender da classificação clínica do paciente. O hemograma tem como finalidade principal avaliar o hematócrito, para identificação de hemoconcentração. Hemoconcentração indica provável alteração de permeabilidade capilar (extravasamento plasmático), associado à gravidade, além de definir a necessidade de hidratação e resposta a terapia de reposição instituída. Queda de hematócrito pode sugerir hemorragias. A redução na contagem de plaquetas, principalmente quando associada à elevação concomitante do hematócrito, pode também indicar risco aumentado de evolução desfavorável.

 

Referências:

1.BRASIL. Ministério da Saúde. Dengue: manual de enfermagem / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde; Secretaria de Atenção à Saúde. – 2. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2013. .  Acesso em: 03 de abril de 2019.

2.BRASIL. Ministério da Saúde. Biblioteca Virtual em Saúde. SOF: Qual a especificidade e sensibilidade do teste rápido da dengue e que tipos existem? Núcleo de Telessaúde do Rio Grande do Sul | 10 fev 2015 | ID: sof-18558. Disponível em: http://aps.bvs.br/aps/qual-a-especificidade-e-sensibilidade-do-teste-rapido-da-dengue-e-que-tipos-existem/. Acesso em: 03 de abril de 2019.

3.Protocolo para atendimento aos Pacientes com Suspeita de Dengue. Prefeitura de Belo Horizonte, 2017. Disponível em: https://site.medicina.ufmg.br/wp-content/uploads/sites/30/2015/02/Dengue-PBH-2017-06-03-2017.pdf. Acesso em: 03 de abril de 2019.

 

Teleconsultoria respondida por: Cíntia Santos Conceição, enfermeira Sesab, graduada em enfermagem pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), especialista em saúde da família e em gestão do trabalho e educação na saúde pela Escola Estadual de Saúde Pública (EESP).