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O atendimento odontológico do paciente com autismo é exatamente igual a qualquer outro atendimento em Saúde Bucal. Assim, todas as necessidades odontológicas deverão ser atendidas dentro do mais alto padrão técnico-científico e ético. A equipe deverá, apenas, estar atenta ao padrão de comportamento do paciente na cadeira odontológica. É importante que os procedimentos que demandam maior tempo de execução sejam realizados quando o paciente já estiver acostumado à rotina odontológica (BRASIL, 2008). Os procedimentos odontológicos não diferem, tecnicamente, daqueles realizados em qualquer indivíduo e devem ser feitos sempre que possível, na atenção básica. A diferença está na forma como a pessoa autista deve ser abordada e condicionada, sempre de acordo com suas necessidades. A abordagem pode ser de forma lúdica, sempre com incentivos ao seu comportamento. É importante que a equipe de saúde bucal fique atenta ao comportamento do autista para que identifique posturas de repulsa, de relaxamento, de medo ou de desconfiança, sabendo se posicionar quando oportuno¹.

As intervenções odontológicas devem acontecer de forma a garantir que sejam as mais pertinentes ao quadro de cada usuário, requerendo a elaboração de protocolos de atenção, com definição, em cada nível, dos cuidados a serem tomados (de acordo com o diagnóstico médico, condições de saúde e tratamento, agravos associados, limitações e capacidades individuais de cada paciente). Por requerer uma atenção em todos os níveis de complexidade, existe a necessidade de rigoroso trabalho integrado da equipe de saúde². A oferta de serviços odontológicos especializados deve, preferencialmente, acontecer juntamente com os Centros de Especialidades Odontológicas (CEOs), entretanto, somente quando não houver condições de atendimento na atenção básica².

ATRIBUTOS:

A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência reafirma o direito de acesso à saúde e reitera que as pessoas com deficiência devem ter acesso a todos os bens e serviços da saúde, sem qualquer tipo de discriminação². Desta maneira, confirma princípios importantes do Sistema Único de Saúde (SUS): universalidade, integralidade e equidade.

REFERÊNCIAS:

1. BRASIL. Ministério da Saúde. Atenção e Cuidado da Saúde Bucal da Pessoa com Deficiência: protocolos, diretrizes e condutas para auxiliares de saúde bucal/ Organização de Arnaldo de França Caldas Jr. e Josiane Lemos Machiavelli – Recife: Ed. Universitária, 2013. 161 p.

2. BRASIL. Ministério da Saúde. Atenção e Cuidado da Saúde Bucal da Pessoa com Deficiência: introdução ao estudo / Organização de Arnaldo de França Caldas Jr. e Josiane Lemos Machiavelli, – Recife: Ed. Universitária, 2013. 68 p.

Teleconsultoria respondida por: Adeilda Ananias de Lima, Teleconsultora de Odontologia. Cirurgiã-dentista, especialista em Saúde Integral à Família com ênfase na Estratégia da Saúde da Família e em Saúde Coletiva.