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CASO: Mulher, 55 anos, comparece para primeira consulta na UBS, nega antecedentes patológicos, nega uso de medicamentos e refere etilismo, queixando-se de tontura e dor de cabeça, nega polifagia, poliúria, polidipsia e perda de peso. A P.A. encontra-se no valor de 130×80 mmHg, e a glicemia capilar em 255 mg/dl, porém refere que tomou café antes de realizar a glicemia. Por dificuldade de comparecer à UBS, a paciente refere que não pode realizar exames laboratoriais, então posso diagnosticar como diabetes tipo 2 e prescrever metformina? Posso diagnosticar hipertensão arterial?

 

RESPOSTA: Os critérios diagnósticos para o Diabetes Mellitus (DM) adotados pela Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) estão relacionados abaixo. A positividade de qualquer um deles, confirma o diagnóstico de DM: ¹

  • Glicose em jejum: maior ou igual a 126mg/dL; ¹
  • Glicose 2 horas após sobrecarga com 75 g de glicose (mg/dL) maior ou igual a 200mg/dl; ¹
  • Glicose ao acaso: = 200 com sintomas inequívocos de hiperglicemia (poliúria, polidipsia, polifagia e emagrecimento). Nesse caso não há necessidade de repetir o exame; ¹
  • Dosagem de hemoglobina glicada (HbA1c): maior ou igual a 6,5. ¹

 Na ausência de sintomas de hiperglicemia, é necessário confirmar o diagnóstico pela repetição de testes. ¹

Uma vez que a paciente não apresenta os sinais clássicos de hiperglicemia, apesar da alteração no valor da glicemia capilar encontrada, será necessário realizar os exames acima referidos, de acordo com a disponibilidade local.

Apesar da American Heart Association (AHA) publicar novo Guideline, em 2017, classificando a Hipertensão Arterial estágio 1 a partir de valores de PAS maior ou igual a 130mmHg e/ou PAD maior ou igual a 80 mmHg, as recomendações do Ministério da Saúde consideram, até o momento, que um paciente é portador de hipertensão quando sua pressão arterial sistólica (PAS) é maior ou igual a 140mmHg e/ou sua pressão arterial diastólica (PAD) é maior ou igual a 90mmHg. Além desses critérios, o diagnóstico deverá ser sempre validado por medições repetidas, em condições ideais, em duas ou mais ocasiões, e confirmado por medições fora do consultório (MAPA ou MRPA), excetuando-se aqueles pacientes que já apresentem LOA detectada. ²

Teleconsultoria respondida por: Andréa Souza Perez Granja, Teleconsultora médica.

 

Referências

  1. Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes 2017-2018 / Organização José Egídio Paulo de Oliveira, Renan Magalhães Montenegro Junior, Sérgio Vencio. — São Paulo: Editora Clannad, 2017.
  2. Arquivos Brasileiros de Cardiologia. 7ª Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial. Volume 107, Nº 3, Suplemento 3, setembro 2016 [acesso em 29 out 2018] disponível em: http://publicacoes.cardiol.br/2014/diretrizes/2016/05_HIPERTENSAO_ARTERIAL.pdf
  3. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Estratégias para o cuidado da pessoa com doença crônica: hipertensão arterial sistêmica / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. – Brasília: Ministério da Saúde, 2013 (Cadernos de Atenção Básica, n. 37)[acesso em 29 out 2018] disponível em: http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/publicacoes/caderno_37.pdf
  4. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Estratégias para o cuidado da pessoa com doença crônica: diabetes mellitus / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. – Brasília: Ministério da Saúde, 2013. [acesso em 29 out 2018] disponível em: http://189.28.128.100/dab/docs/portaldab/publicacoes/caderno_36.pdf
  5. Ministério da Saúde. PORTARIA Nº 2.436, DE 21 DE SETEMBRO DE 2017 Aprova a Política Nacional de Atenção Básica, estabelecendo a revisão de diretrizes para a organização da Atenção Básica, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) [acesso em 29 out 2018] disponível em: http://pesquisa.in.gov.br/imprensa/jsp/visualiza/index.jsp?data=22/09/2017&jornal=1&pagina=68&totalArquivos=120