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descompensação glicêmica em pacientes que vinham mantendo bom controle requerem avaliação de novas condições médicas subjacentes, tais como processos infecciosos ou inflamatórios em curso e uso de medicaçõeque influenciem negativamente o metabolismo glicêmico.

É comum, entretanto, encontrarmos pacientes que mantêm hiperglicemia crônica  apesar de tentativas de otimizar o esquema terapêutico com a  introdução da insulina regular às refeições, além da insulina basal NPH em duas ou três doses diárias. A coleta de informação minuciosa sobre o uso correto e continuado das injeçõede insulina é um ponto chave para o sucesso deste esquema, desde a sua prescrição inicial e em cada consulta subsequente. Isto porque, a causa mais frequente de falha terapêutica consiste em uso inadequado da insulina.

Alguns questionamentos práticos, listados a seguir, devem ser feitos de forma ativa e persistente pela equipe multidisciplinar durante as consultas. Lembrando-se sempre de usar um linguagem clara para o paciente, uma postura acolhedora, evitando julgamentos, buscando uma comunicação eficaz.

1 –  Esquece ou deixa de tomar a insulina em algum horário?

2 – Em casos de hipoglicemia, faz uso da próxima dose de insulina, após tratamento do episódio? Em alguma outra situação, modifica ou deixa de usar a insulina?

3 – Faz  homogeneização da insulina antes de aplicar e rodízio entre os locais de aplicação ?

O paciente deve receber educação em diabetes em relação a diversos aspectos no manuseio e aplicação de insulina, bem como noções básicas em relação a ação, pico e duração de cada insulinaDesta forma, modificações inadequadas na terapia, especialmente a omissão de doses, poderão ser minimizadas.

É importante checar periodicamente as técnicas de aplicação, priorizando formas práticas, como solicitar que o paciente demonstre as doses no próprio tipo de seringa que vem usando, a prega cutânea e o  ângulo de inserção da agulha. Frequentemente, familiares auxiliam na aplicação e não podem comparecer às consultas. Neste caso, pode-se, por exemplo, solicitar a sinalização da dose na seringa com tinta esferográfica  ou fitas adesivas.  Aplicação atravéde caneta pode minimizar erros nas doses, especialmente em pacientes idosos.

Dose insuficiente de insulina pode ser outra causa de hiperglicemia sustentada. Para o DM2, a dose total de insulina varia habitualmente em torno de 0,5 a 1,5 U/kg/ dia, dependendo do grau de resistência à insulina, sendo tanto maior quanto mais alto for o índice de massa corporal (IMC).  Entretanto, o aumento progressivo de dose de insulina, sem verificar a consistência e adequação de sua aplicação, podem gerar episódios de hipoglicemia grave, se o paciente eventualmente passar a aderir ao uso com as doses prescritas acima de suas necessidades reais.

Referência:

Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes 2013 -2014
Autoras:
Drª Roberta Lordelo Lobo –  Médica endocrinologista, pela FMUSP, CRM 15693. Atua na CODAR/ Centro de Diabetes em Endocrinologista do Estado da Bahia.
Drª Fabiana Freire – Médica endocrinologista titulada pela SBEM, CREMEB 18.214. Preceptora do Programa de Residência Médica Sesab/Cedeba.