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A insulinoterapia é comprovadamente segura e eficaz na otimização do controle glicêmico de pacientes com diabetes tipo 2. É esperado, pela evolução natural da doença, que a reserva pancreática diminua ao longo dos anos. O início da insulinoterapia nesta fase é essencial para manutenção de níveis adequados de glicemia. Apesar disto, a recusa ou atraso em iniciar é uma realidade.

Do ponto de vista da equipe de saúde, contribuem as crenças de tratar-se de terapêutica de manejo difícil e preocupação com efeitos colaterais. Para os pacientes, a crença mais comum é de estar associada a um agravamento de sua condição de saúde. Em grupos de pacientes não aderentes, observa-se relato de que a insulina é um “castigo” por não terem se dedicado ao tratamento e até mesmo de ser a causa das complicações da doença e não o seu descontrole. Outras preocupações comuns são o impacto na rotina diária e qualidade de vida, medo de hipoglicemia e de dor na aplicação e preocupações quanto a ganho de peso.

A educação dos profissionais de saúde e contínuos esforços da equipe multiprofissional na orientação dos pacientes, podem promover maior adesão ao uso da insulina. Os mitos sobre a insulina “causar complicações, piora, ou vício” precisam ser abordados e desfeitos. Deve-se orientar as condições que aumentam o risco de hipoglicemia tais como omissão de refeição, exercícios físicos sem alimentação ou erros nas doses. É fundamental a educação dos pacientes e familiares, para que sejam capazes de detectar precocemente os sintomas de hipoglicemia e tratá-los de forma adequada e imediata. Deve-se informar que a alimentação balanceada e a prática de exercícios físicos podem evitar ganho de peso excessivo. O conhecimento, através da educação, possibilitará uma perspectiva mais positiva sobre a insulinoterapia.

É importante lembrar que novas tecnologias vem sendo gradativamente incorporadas, tornando as aplicações mais simples e menos incômodas (agulhas de menor calibre e canetas), reduzindo o ganho de peso, a frequência e a gravidade de hipoglicemias, o efeito colateral mais temido (análogos de insulina).

Responsável técnica – Dra. Roberta Lordelo Lobo, médica endocrinologista com especialização pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e graduada pela UFBA.

Referências
Andrew J Karter, Usha Subramanian, Chandan Saha, Jesse C Crosson, Melissa M Parker, Bix E Swain, Howard H Moffet, David G Marrero (2010). Barriers to insulin initiation: the translating research into action for diabetes insulin starts project Diabetes Care 33:733–735, 2010.

Eliaschewitz, F. G., de Paula, M. A., Pedrosa, H. C., Pires, A. C., Salles, J. E. N., Tambascia, M. A., & A. Turatti, L. A. (2018). Barriers to insulin initiation in elderly patients with type 2 diabetes mellitus in Brazil. Diabetes & Metabolic Syndrome: Clinical Research & Reviews, 12(1), 39–44.

SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES. Diretrizes da Sociedade Brasileira da Diabetes 2019-2020.