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A febre maculosa ( também chamada de febre do carrapato) é uma doença infecciosa febril aguda, transmitida por carrapatos, de gravidade variável, que pode cursar com formas leves e atípicas até formas graves com elevada taxa de letalidade. No Brasil, os principais vetores e reservatórios são os carrapatos do gênero Amblyomma, tais como A. cajennense, A. cooperi (dubitatum) e A. aureolatum. Entretanto, potencialmente, qualquer espécie de carrapato pode ser reservatório, por exemplo, o carrapato do cão, Rhipicephalus sanguineus¹.

Os sintomas são febre de início súbito, dor de cabeça e nas articulações e/ou prostração, seguida de exantema máculo-papular, predominantemente nas palmas das mãos e plantas dos pés, que pode evoluir para petéquias, equimoses e hemorragias e lesão no local onde o carrapato ficou aderido – além de histórico de picada de carrapatos e/ou ter frequentado área de transmissão de FM nos últimos 15 dias. Nos casos graves, é comum a presença de: • edema de membros inferiores; • hepatoesplenomegalia; • manifestações gastrointestinais, como náusea, vômito, dor abdominal e diarreia; • manifestações pulmonares, como tosse, edema pulmonar, infiltrado alveolar com pneumonia intersticial e derrame pleural; • manifestações neurológicas graves, como deficit neurológico, meningite e/ou meningoencefalite com líquor claro; • manifestações hemorrágicas, como petéquias e sangramento muco-cutâneo, digestivo e pulmonar. Se não tratado, o paciente pode evoluir para um estágio de torpor e confusão mental, com frequentes alterações psicomotoras, chegando ao coma profundo. Icterícia e convulsões podem ocorrer em fase mais avançada da doença. Nesta forma, a letalidade, quando não ocorre o tratamento, pode chegar a 80%¹.

O tratamento está diretamente relacionado à precocidade de sua introdução e à especificidade do antimicrobiano prescrito. As evidências clínicas, microbiológicas e epidemiológicas estabelecem que a doxiciclina é o antimicrobiano de escolha para terapêutica de todos os casos suspeitos de infecção pela Rickettsia rickettsii e de outras riquetsioses, independentemente da faixa etária e da gravidade da doença. Na impossibilidade de utilização da doxiciclina, oral ou injetável, preconiza-se o cloranfenicol como droga alternativa.

Não é recomendada a antibioticoterapia profilática para indivíduos assintomáticos que tenham sido recentemente picados por carrapatos, uma vez que dados da literatura apontam que tal conduta poderia, dentre outras consequências, prolongar o período de incubação da doença. A doxiciclina na apresentação para uso endovenoso e do cloranfenicol na apresentação líquida, para uso oral, são disponibilizados exclusivamente pelo Ministério da Saúde¹.

Bibliografia 

  1. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Coordenação-Geral de Desenvolvimento da Epidemiologia em Serviços. Guia de Vigilância em Saúde : [recurso eletrônico] / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, CoordenaçãoGeral de Desenvolvimento da Epidemiologia e Serviços. – 1. ed. atual. – Brasília : Ministério da Saúde, 2016. Disponível em: http://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2016/dezembro/31/GVS-Febre-Maculosa.pdf. Acesso em: 20 de agosto de 2018.
  2. Brasil. Ministério da Saúde. Febre Maculosa. Disponível em: <http://portalms.saude.gov.br/saude-de-a-z/febre-maculosa/situacao-epidemiologica. Acesso em: 20 de agosto de 2018.

Teleconsultoria respondida por: Elis Carla C. M. Silva, Enfermeira, Teleconsultora Enfermeira do TelessaúdeBA /SESAB, Graduada em Enfermagem pela UFS, Especialista em Atenção Básica com ênfase em Saúde da Família pela UFMGS e Especialista em Micropolítica da Gestão e do Trabalho em Saúde pela UFF.