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No mês dedicado ao “Setembro Amarelo” – campanha que visa a conscientização sobre a prevenção ao suicídio –, as secretarias estaduais da Educação (SEC) e da Saúde (SESAB) realizarão nas escolas da rede estadual uma grande campanha sobre a temática. A programação será iniciada nesta terça-feira (3), às 14h, no Instituto Anísio Teixeira (IAT), com a palestra “O império das imagens, a era digital e a saída suicida”. A atividade envolverá a participação dos professores e estudantes do Colégio Estadual de Aplicação Anísio Teixeira, que participam do projeto Grupo de Amigos Motivadores (GAM), cujo objetivo é prestar apoio socioemocional aos colegas que sofrem de problemas a exemplo da depressão.

Além de palestras presenciais nas escolas ministradas por psicólogos e assistentes sociais, serão veiculadas palestras virtuais com diversos temas e que poderão ser acessadas por professores das redes estadual e municipais de educação, além de profissionais da atenção básica da área da Saúde e população em geral. O link das webpalestras estarão disponíveis a partir de terça (3), nos portais das duas secretarias (www.educacao.ba.gov.br e www.saude.ba.gov.br).

A superintendente de Recursos Humanos da SEC, Rosário Muricy, falou da importância da campanha. “A Secretaria da Educação está potencializando estas ações nas unidades escolares como uma forma de mobilizar, prevenir e enfrentar o tema, pois esta é uma questão de saúde pública delicada e da maior gravidade, mas que temos a responsabilidade de enfrentar e, por isso, a SEC e a SESAB estão mais uma vez juntas em uma ação de prevenção. Nosso compromisso com o ‘Setembro Amarelo’ é desmistificar e trazer a importância de se falar sobre o tema como medida de prevenção. Assim, podemos dar início a essa batalha pela vida”, destacou.

Para a coordenadora do Programa Saúde do Professor da SEC, Elisabete Dias Assunção, é essencial que todos acessem as web palestras para terem conhecimentos sobre os temas a serem abordados. “Os conteúdos buscam conscientizar sobre os sintomas e fatores de risco, além de desconstruir mitos e enfatizar a importância do gerenciamento do autocuidado”, afirmou.

Suicídio: estigma e enigma social

De acordo com o secretário da Saúde do Estado da Bahia, Fábio Vilas-Boas, este é um tema que é preciso falar abertamente. “Produzimos uma cartilha que trata do tema e alerta para os sinais e sintomas do suicídio. Entre os fatores de risco de suicídio citados na publicação estão as manifestações de sofrimento psíquico (depressão e uso abusivo de substâncias psicoativas), tentativa anterior de suicídio e dificuldade de lidar com perda”, destaca o secretário

Para a psicóloga e coordenadora do Núcleo de Estudo e Prevenção do Suicídio (Neps), Soraya Carvalho, o serviço que integra o portfólio do Centro de Antiveneno da Bahia (Ciave), atua na prevenção de suicídios e na redução de reincidências da tentativa destes eventos. A equipe do núcleo é formada por enfermeiros, psicólogas, terapeutas ocupacionais, psiquiatras e estagiários de Psicologia, que atende pacientes de todas as idades. O acesso ao serviço se dá através de demanda espontânea ou por casos de tentativa de suicídio identificados em emergências.

As atividades do núcleo foram iniciadas em 1991 e atualmente é referência na Bahia e no Brasil. As ações do NEPS incluem orientação aos pacientes e familiares, e também a preparação de equipes de saúde. Segundo Soraya Carvalho, o suicídio é considerado hoje um grave problema mundial de saúde pública, visto que de acordo com dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), cerca de um milhão de pessoas morrem por suicídio a cada ano. É a terceira causa de morte entre os jovens no mundo e o Brasil ocupa o oitavo lugar no ranking mundial.

Sobre o Setembro Amarelo

No Brasil, o “Setembro Amarelo” foi criado em 2015 pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), com a proposta de associar a cor ao mês que marca o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio (10 de setembro). A ideia é pintar, iluminar e estampar o amarelo nas mais diversas resoluções, garantindo mais visibilidade à causa. Ao longo dos últimos anos, escolas, universidades, entidades do setor público e privado e a população de forma em geral se envolveram neste movimento que vai de norte a sul do Brasil.