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A comunicação às parcerias pelo caso-índice deve ser voluntária, e este deve continuar tendo acesso aos serviços, mesmo que não coopere com o procedimento. Pode acontecer de o caso-índice se recusar a fazer a comunicação ou impedir o ato pelo profissional de saúde (como no caso exposto); por isso, essa decisão deve ser tomada após orientação na consulta, de acordo com princípios éticos. Se o profissional perceber que o risco à saúde da parceria e/ou outros, é tão elevado que seria antiético deixar de realizar a comunicação, poderá realizar a busca, em último caso, esgotadas todas as possibilidades. Desta maneira, sugerimos que através da visita domiciliar realizada mensalmente com agente comunitário a este contactante bem como com os demais seja realizada uma avaliação com a equipe responsável por essa população, sem identificar a paciente (caso índice).

O ideal é que os parceiros sejam trazidos para aconselhamento, diagnóstico e tratamento pelos próprios clientes. No caso do não comparecimento das parcerias sexuais comunicadas, existem algumas atividades que poderão ser desenvolvidas, conforme a disponibilidade de cada serviço¹. As parcerias sexuais de gestantes com IST e as gestantes parceiras de pessoas com IST que não atenderem à comunicação para tratamento devem ser priorizadas para busca ativa.

Comunicação por cartão: O profissional de saúde que estiver atendendo o paciente deve obter o nome, endereço e outras informações de identificação da parceria sexual, para o preenchimento do cartão de comunicação. O cartão consiste de duas partes: a parte A é retida pela unidade que a preencheu, e a parte B entregue ao caso-índice que, por sua vez, a entregará à parceria. Deve ser preenchido um novo cartão para cada parceria identificada. A parte A do cartão deve conter: código da Classificação Internacional das Doenças (CID-10); número do prontuário; nome do caso-índice; dados da parceria (nome, endereço); data do preenchimento e assinatura do profissional de saúde que preencheu o cartão. A parte B deve conter o mesmo CID-10, número do prontuário, dados da parceria sexual (nome, endereço), mensagem com solicitação de comparecimento ao serviço de saúde, nome e endereço da unidade de saúde para o atendimento, data do preenchimento e assinatura do profissional de saúde. Quando a parceria apresentar a parte B, o profissional de saúde identifica a IST que ocasionou a comunicação e a unidade que emitiu o cartão. Procede-se então ao tratamento, de acordo com as orientações deste protocolo.

Comunicação por correspondência e outros meios: Caso as parcerias sexuais não atendam à comunicação por cartão em um prazo de até 15 dias, ou o caso-índice não queira entregar os cartões (mas forneça dados de identificação das parcerias), deve-se realizar a comunicação por meio de correspondência (ex.: aerogramas), ou outros meios de comunicação que garantam a confidencialidade da informação, como contato telefônico e/ou eletrônico, ou até mesmo a utilização de algumas redes sociais.

Comunicação por busca ativa: Essa modalidade só poderá ser executada quando se esgotarem todos os recursos disponíveis, havendo acesso ao endereço. Cada unidade deve implementar as atividades do sistema progressivamente, conforme a disponibilidade local. Por exemplo, pode-se realizar a comunicação por profissionais habilitados, equipe de vigilância epidemiológica ou PSF da área de abrangência. Ao chegar ao serviço de saúde, a parceria deve ser considerada portadora da mesma infecção que acometeu o caso-índice, mesmo que não apresente sinal ou sintoma, e receber o mesmo tratamento recomendado para a condição clínica.

 

Referência

  1. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com Infecções Sexualmente Transmissíveis. Brasília: Ministério da Saúde, 2015.
  2. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Prevenção da Transmissão Vertical de HIV, Sífilis e Hepatites Virais. Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das Infecções Sexualmente Transmissíveis, do HIV/Aids e das Hepatites Virais. Brasília, DF – 2017.

Teleconsultoria respondida por Naiara de Andrade: Enfermeira, teleconsultora de enfermagem, especialista em Enfermagem Obstétrica.