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hermann

Foto: Eddy Martín

As ferramentas de Tecnologias de Informação e Comunicação em Saúde (TICS), permitem a construção de práticas educativas a partir do processo de trabalho diário, e de experiências exitosas que buscam e inserem estratégias de formação e desenvolvimento do profissional, na busca pela qualidade na assistência à saúde, sensibilização e humanização do serviço. O médico da Estratégia de Saúde da Família, Hermann Hoffman da UBS Ademar Nascimento Nilo, do município de Araçás, acredita que a tele-educação, além de auxiliar na prática diária, evita os encaminhamentos desnecessários, aproxima o conhecimento de maneira ágil e eficiente. Em entrevista ao site TelessaúdeBA, o Dr.º Hoffman conta como a tele-educação vem fazendo diferença no seu fazer profissional.

Telessaúde Bahia – Como a tele-educação já fez diferença no seu fazer profissional?

Hermann Hoffman – Na minha prática médica diária, essa poderosa ferramenta tecnológica, desde que a conheci, qualificou muito o processo de trabalho dentro da minha área de atuação, o que proporcionou respostas relativamente rápidas a demandas reprimidas, e creio que tal velocidade se dá pela praticidade no acesso aos recursos disponíveis da tele-educação. Posso mencionar aqui com toda convicção para exemplificar, e com caráter realístico, o impacto que gera a Segunda Opinião Formativa (SOF). Diagnósticos inconclusos ou duvidosos e que pela realidade socioeconomica da comunidade que atendo que dificilmente teria acesso a alguns especialistas médicos, foram totalmente elucidados com o auxílio dos médicos teleconsultores que nos oferecem suporte através da SOF, e o impacto é impressionante, dezenas de usuários que atendo já deixaram de ser encaminhados para muitos especialistas. Essa é a diferença que me  oferece a tele-educação, aproxima o conhecimento de forma rápida, mesmo que compartilhado ambientes físicos diferentes, em suma quem ganha efetivamente é a população.

TB – Você acredita que a educação permanente seja importante? Por quê?

HH – Sim. Creio porque a partir de quando compreendo que a educação permanente rompe com conceitos antigos que pregavam a superioridade do educador em relação ao educando, ou até o ensino aprendizagem mecânico dissociado da cotidianidade e realidade, torna-se legítima essa prática que hoje já é tão pujante que tornou-se política específica no SUS. Estou convencido que optar pela educação permanente em saúde é optar pelo SUS e seu aprofundamento, pelas “novas” atividades em saúde e integração do coletivo de trabalho, portanto a educação permanente é imprescindível e a sua confluência se dará quando todos nós entendermos e valorizarmos essa política de saúde.

TB – Você acredita que a tele-educação (educação permanente), pode trazer mudanças no âmbito profissional?

HH – Efetivamente, já mencionei aqui que a melhoria da qualidade do atendimento e da capacidade clínica são potencialmente incrementadas com essa interação entre o profissional que está diariamente na unidade e aquele que mesmo longe está disposto a ajudar, embora nem todos os colegas ainda rompem paradigmas para “beber” dessa rica fonte de transmissão de saber.

TB – Qual a experiência exitosa com webpalestras que você poderia compartilhar? O que achou do resultado? Foi satisfatório?

HH – Recordo muito bem da situação mais aguda que o Brasil passou com com o aumento da incidência das doenças exantemáticas, aqui chamo atenção do zika vírus, e a Bahia que foi e é uma região particularmente vulnerável foi quem nos proporcionou a partir do Telessaúde Bahia a capacitação. Lembro que assisti uma webpalestra sobre a tríplice epidemia que nos ajudou muito no manejo de muitos pacientes acometidos, assim como nos despertou mais interesse em aprofundar sobre o zika vírus. Meses posteriores percebi a importância dessa webpalestra quando a relação entre zika vírus e microcefalia era algo real e nos ameaçava. O resultado não foi outro, usei aquela vídeo aula como parâmetro para melhorar a assistência principalmente gestantes e evitando sequelas. É bem verdade que muito mais poderíamos ter avançado entretanto foi o suficiente para enfrentarmos tal situação.

TB – Qual tema você gostaria em uma webpalestra?

HH – Creio que deveria ser aprofundado ainda mais sobre a adesão medicamentosa em pacientes com baixa escolaridade, algo que é perenal das nossas regiões de atuação.