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De acordo com a recomendação do Ministério da saúde para o rastreamento do câncer de mama de 2018, não é necessário realizar o rastreamento com USG de mamas, seja isoladamente ou em conjunto com a mamografia. ¹

”O aumento da densidade mamária é causa da diminuição da sensibilidade da mamografia e se mostrou fator de risco isolado, aumentando em 4 a 6 vezes a chance de desenvolver o câncer de mama.²

”Muitas vezes, o uso da ultrassonografia como teste de rastreamento é feito com a intenção de complementar a mamografia de rastreamento realizada em mulheres jovens com mamas densas e resultado negativo, visando a aumentar a sensibilidade do rastreamento. Embora alguns estudos indiquem que, entre populações com maior risco para câncer de mama, a ultrassonografia poderia detectar três ou quatro casos a mais de câncer, não é possível determinar se esse aumento de detecção se repetiria em populações de risco padrão e, consequentemente, reduziria a mortalidade ou apenas anteciparia a detecção ou promoveria sobre diagnóstico. Ademais, alguns estudos sugerem que a proporção de resultados falso-positivos com a ultrassonografia seria aproximadamente o dobro da apresentada pela mamografia para tumores sólidos na avaliação ultrassonográfica” ³

” A resposta se a suplementação da ecografia mamária aliada aos métodos de rastreamentos do câncer de mama melhora as taxas de mortalidade não pode ser obtida pelos estudos disponíveis, embora existam indícios de que isso ocorra em um determinado grupo de mulheres selecionada.” ²

”Além da ausência de evidências sobre a sua eficácia no rastreamento, a ultrassonografia mamária possui conhecidas limitações que comprometem seu potencial papel como um método de rastreamento para o câncer de mama. Entre essas limitações, estão a grande dependência da presença e da experiência do médico operador, a maior dificuldade de padronização de técnicas de exame e de critérios de interpretação e a dificuldade na detecção de microcalcificações.”³

A avaliação para indicar ou não a complementação deve ser individualizada e de acordo com as recomendações, não é uma prática bem estabelecida.

Fonte: Diretrizes para detecção precoce do câncer de mama no Brasil. II – Novas recomendações nacionais, principais evidências e controvérsias (2015, 12 – 15 p.)

Referências:

  1. Migowski Arn, Silva Gulnar Azevedo e, Dias Maria Beatriz Kneipp, Diz Maria Del Pilar Estevez, Sant’Ana Denise Rangel, Nadanovsky Paulo. Diretrizes para detecção precoce do câncer de mama no Brasil. II – Novas recomendações nacionais, principais evidências e controvérsias. Cad. Saúde Pública [Internet]. 2018 [cited 2020 Jan 17] ; 34( 6 ): e00074817. Available from: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2018000600502&lng=en. Epub June 21, 2018. http://dx.doi.org/10.1590/0102-311×00074817.
  2. Vasconcelos RG; Uemura G; Schirmbeck T; Vieira KM. Ultrassonografia mamária: aspectos contemporâneos. Comun. ciênc. saúde;22(sup. espc. 1):129-140, 2011.
  3. Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA). Diretrizes para a detecção precoce do câncer de mama no Brasil/ Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva – Rio de Janeiro: INCA, 2015. 168 p.

Teleconsultoria respondida por Soraia Matos: Teleconsultora médica do Telessaúde Bahia. Residência Médica em Medicina de Família e Comunidade pela FESF/Fiocruz.