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Não é recomendado realizar exercício no pênis do lactente para aumentar a abertura do prepúcio, pelo risco de provocar microtraumas e fibrose local. A equipe de saúde deve avaliar a presença de anel prepucial que impede a exteriorização da glande (fimose). Caso haja, encaminhar para tratamento cirúrgico aos dois anos de vida ou antes se a criança apresentar postite ou infecção de urina.

COMPLEMENTAÇÃO:

Fimose é uma condição na qual o prepúcio não pode ser retraído sobre a glande do pênis. É comumente fisiológica e geralmente se resolve com o tempo. Em crianças menores de 2 anos, nenhum tratamento é necessário, pois a maioria se resolve espontaneamente. Evitar a retração forçada do prepúcio (os chamados exercícios), pois podem ocorrer microtraumas no orifício prepucial que formam cicatrizes e anel fibrótico. ¹

O tratamento para fimose é realizada a partir dos dois anos de idade e de acordo com a preferências dos pais. O uso de corticosteroides em pomada, duas vezes ao dia por 20 a 30 dias, é a primeira linha de tratamento e tem uma taxa de sucesso em mais de 90% dos casos (Grau de recomendação A). 1 Quando não resolvido com as pomadas de corticoides, o tratamento é cirúrgico, denominado postectomia, e pode ser realizado nas diferentes faixas etárias, desde o período neonatal (circuncisão), até a idade adulta; lembrando-se que, do ponto de vista médico, só é possível fazer o diagnóstico de certeza de fimose após 1 ano de idade. A idade ideal para se realizar a cirurgia de fimose é após 1 ano e antes dos 18 meses de idade, quando o menino já começa a ter consciência do genital masculino. 

Em caso de balanopostite ou infecção urinária recorrente em crianças com anormalidades do trato urinário, o tratamento da fimose não deve ser retardado.1

REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Saúde da criança: crescimento e desenvolvimento / Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. – Brasília: Ministério da Saúde, 2012. 272 p.: il. – (Cadernos de Atenção Básica, nº 33)

BRASIL Ministério da Saúde. PORTARIA Nº 2.436, DE 21 DE SETEMBRO DE 2017 Aprova a Política Nacional de Atenção Básica, estabelecendo a revisão de diretrizes para a organização da Atenção Básica, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS) [acesso em 23 março 2019] disponível em: http://pesquisa.in.gov.br/imprensa/jsp/visualiza/index.jsp?data=22/09/2017&jornal=1&pagina=68&totalArquivos=120

BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolos da Atenção Básica: Saúde da Criança / Ministério da Saúde, Instituto Sírio-Libanês de Ensino e Pesquisa. – Brasília: Ministério da Saúde, 2016 [acesso em 24 agosto 2019] disponível em: http://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2016/dezembro/13/PAB-Saude-da-Crian–a-Provis–rio.pdf

DynaMed [Internet]. Ipswich (MA): EBSCO Information Services. 1995 – . Record No. 114116, Phimosis and paraphimosis; [updated 2016 Oct 28, cited 04 abril 2019e]; [about 6 screens]. Available from http://search.ebscohost.com/login.aspx?direct=true&db=dnh&AN=114116&site=dynamed-live&scope=site. Registration and login required.

Sociedade de Brasileira de Pediatria. – 2ed.– Barueri, SP : Manole, 2010.

Teleconsultoria respondida por: Andrea Souza Perez Granja. Pediatra. Médica de Família e Comunidade.