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Resposta:
A nifedipina é um bloqueador do canal de cálcio(BCC) di-idropiridínicos, assim como o anlodipino e levanlodipino, e exerce um efeito vasodilatador predominante, com mínima interferência na frequência e na função sistólica, sendo, por isso, mais frequentemente usados como anti-hipertensivos. Todos os antagonistas dos canais de cálcio promovem dimi-nuição da resistência vascular periférica, sendo anti-hipertensivos eficazes e reduzem a morbimortalidade cardiovascular. 3,4

Deve-se dar preferência aos BCC de ação prolongada para se evitar oscilações indesejáveis na frequência cardiaca e na pressão arterial. Os BCC de curta ação podem elevar a frequência cardíaca pela estimulação simpática(taquicardia reflexa), como consequência de sua ação vasodilatadora periférica. 3,4

Os diidropiridínicos de curta ação, por este motivo, não estão indicados para o tratamento dos hipertensos.

No subgrupo dos diidropiridínicos temos disponíveis no Brasil: a Nifedipina, que só deve ser usada nas formulações RETARD (2 doses dia) e oros (1 dose dia), que tornam lenta sua liberação na circulação. 4

Complementação:

”Os efeitos adversos mais frequentes dos antagonistas do cálcio estão relacionados à vasodilatação periférica (cefaleia, rubor facial e tontura), e um efeito que aparece com certa frequência é o edema maleolar que pode ser limitante no uso e não tem relação com retenção hídrica. Há inúmeras evidências baseadas em ensaios clínicos randomizados, meta-análises e revisões sistemáticas, dos efeitos benéficos destes fármacos no controle da PA e na redução de eventos cardiocirculatórios, tanto em monoterapia quanto em associação com outros anti-hipertensivos. ” 1

Referencial:

1- Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica.Estratégias para o cuidado da pessoa com doença crônica: hipertensão arterial sistêmica / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. – Brasília: Ministério da Saúde, 2013.

2 . Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos. Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos. Relação Nacional de Medicamentos Essenciais : RENAME 2018 [recurso eletrônico] / Ministério da Saúde, Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégi-cos, Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos. – Brasília : Ministério da Saúde, 2018

3 . Malachias MVB, Souza WKSB, Plavnik FL, Rodrigues CIS, Brandão AA, Neves MFT, et al. 7ª Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial. Arq Bras Cardiol 2016; 107(3Supl.3):1-83

4 . Jardim PCBV, Jardim TSH, Souza WKSB. Qual(ais) o(s) antagonistas dos canais de cálcio mais indicado(s) no tratamento da hipertensão arterial? . Rev. Brasil. Hipertens. 2013. Disponíivel em : http://docs.bvsalud.org/biblioref/2018/03/881681/rbh_v20n2_78-82.pdf

5 . Tratado de medicina de família e comunidade : princípios, formação e prática [recurso eletrônico] / Organizadores, Gustavo Gusso, José Mauro Ceratti Lopes, Lêda Chaves Dias; [coordenação editorial:Lêda Chaves Dias]. – 2. ed. –Porto Alegre : Artmed, 2019.

6 . Ministério da Saúde. PORTARIA Nº 2.436, DE 21 DE SETEMBRO DE 2017 Aprova a Política Nacional de Atenção Básica, estabelecendo a revisão de diretrizes para a organização da Atenção Básica, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). disponível em: http://pesquisa.in.gov.br/imprensa/jsp/visualiza/index.jsp?data=22/09/2017&jornal=1&pagina=68&totalArquivos=120

 

Solicitante: Médico da estratégia de saúde da família
Teleconsultor: SORAIA MATOS CEDRAZ DA SILVA (Médica de Saúde da Família)