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As verrugas genitais (lesões condilomatosas) são causadas pelo vírus HPV (Papiloma Vírus Humano), mesmo vírus envolvido no desenvolvimento de Câncer de Colo Uterino. Na gestação, as lesões condilomatosas que são causadas poderão atingir grandes proporções, seja pelo aumento da vascularização, seja pelas alterações hormonais e imunológicas que ocorrem nesse período¹. Preferencialmente, as lesões devem ser tratadas no segundo trimestre gestacional¹.

A escolha do tratamento se baseia no tamanho e no número das lesões¹:

· Nunca use podofilina durante qualquer fase da gravidez¹,²,³,4,5;

· Lesões pequenas, isoladas e externas: ATA (Ácido Tricloroacético), eletro ou criocauterização em qualquer fase¹,²,3,5;

· Lesões condilomatosas grandes (excluindo as de colo uterino e vagina): ressecção com eletrocautério em qualquer fase da gravidez. Este procedimento exige profissional habilitado e experiente, visto que pode provocar sangramento significativo e deve restringir-se à lesão propriamente dita;

· Lesões pequenas em colo, vagina e vulva: ATA¹,2,3,5, eletro ou criocauterização a partir do 2º trimestre.

O exame Papanicolau (Preventivo) faz parte da rotina de pré-natal, devendo ser coletado em todas as gestantes, preferencialmente no até o 7º mês de gestação. Todas as mulheres com condilomatose durante a gravidez deverão ser seguidas com citologia oncótica (papanicolau) após o parto¹. O parceiro deverá ser avaliado para possível tratamento conjunto.

É importante salientar que apenas o Ácido Tricloroacético (ATA) está documentado como terapia tópica segura para o tratamento de verrugas anogenitais durante a gestação, sendo outros métodos tópicos como os cremes de podofitoxina e Imiquimod não considerados de uso seguro durante o período gestacional¹,²,3,4,5.

É importante salientar que os HPV tipo 6 e 11 (que estão entre os tipos que causam as verrugas) estão associados à papilomatose de laringe em recém-nascidos e crianças, mas esta é uma situação clínica muito rara. A forma de transmissão do vírus (transplacentária, perinatal ou pós-natal) nestes casos ainda não foi totalmente esclarecida¹,5. Não há evidências de que a cesárea diminua a ocorrência desse agravo¹; portanto, não há indicação do parto via alta para prevenção da transmissão vertical do HPV¹. Indica-se o parto via alta apenas quando há risco de sangramento excessivo ou de obstrução do canal de parto devido ao tamanho e à localização das lesões¹,5.

Referências

1.     Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Atenção ao pré-natal de baixo risco / Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. – Brasília : Editora do Ministério da Saúde, 2012. 318 p.: il. – (Série A. Normas e Manuais Técnicos) (Cadernos de Atenção Básica, n° 32) Disponível em:http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cadernos_atencao_basica_32_prenatal.pdf Acessado em  07 Mai 2019.

2.     Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com Infecções Sexualmente Transmissíveis /Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais. – Brasília : Ministério da Saúde, 2015. 120 p. : il. Disponível em:http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/protocolo_clinico_diretrizes_terapeutica_atencao_integral_pessoas_infeccoes_sexualmente_transmissiveis.pdf Acessado em  07 Mai 2019.

3.     Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Programa Nacional de DST e Aids. Manual de Controle das Doenças Sexualmente Transmissíveis / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Programa Nacional de DST e Aids. Brasília: Ministério da Saúde. 2005. 140p. Série Manuais n.o 68 4.ed. Disponível em:http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_controle_das_dst.pdf  Acessado em  07 Mai 2019.

4.     DynaMed [Internet]. Ipswich (MA): EBSCO Information Services. 1995 – . Record No. 114510, Medication and drug exposure in pregnancy; [updated 2018 May 17, cited place cited date here]; [about 54 screens]. Available fromhttp://search.ebscohost.com/login.aspx?direct=true&db=dnh&AN=114510&site=dynamed-live&scope=site.  Acessado em  07 Mai 2019.

5.     GOMES, Cláudia Messias; RADES, Érica; ZUGAIB, Marcelo. Como devem ser tratados os condilomas genitais durante a gestação?. Rev. Assoc. Med. Bras.,  São Paulo ,  v. 52, n. 5, p. 286-287,  Oct. 2006 . Available from <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-42302006000500008&lng=en&nrm=iso>. Acessado em  07 Mai 2019. http://dx.doi.org/10.1590/S0104-42302006000500008

 

Teleconsultoria respondida por: Julyana Quintino, teleconsultora médica,  médica de Família e Comunidade, Professora da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB).