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Destaca-se que a privacidade é um direito do paciente portador do vírus HIV, sendo a comunicação ao ACS facultativo, ou seja, caso o paciente deseje compartilhar esse tipo de informação. Além disso, por questões éticas e legais, uma vez sabedor da situação, o ACS não deve revelar a outras pessoas, garantindo assim a confidencialidade e o direito de privacidade desse indivíduo (A)¹.

O ACS deve orientar e articular juntamente com a sua Equipe de Saúde da Família (ESF) os cuidados em saúde direcionados aos indivíduos portadores do HIV e família, como o acompanhamento sistemático pela ESF, Núcleo de Saúde da Família (NASF) e ambulatório especializado (A)¹.

É importante estimular e acolher o discurso dessa pessoa, ouvindo e valorizando o seu relato, sem colocar juízo de valor e discriminação. Assim, condutas como essas devem ser exercidas pelos profissionais da Estratégia de Saúde da Família, permitindo o diálogo entre a equipe de saúde e o usuário do serviço e fortalecendo o respeito mútuo entre esses atores (A)¹.

Uma sugestão, seria a construção do Projeto Terapêutico Singular (PTS) para esta família/usuário, incluindo a equipe de Saúde da Família e profissionais do NASF, caso a equipe possua o apoio matricial, para uma abordagem familiar e individual que contemple as necessidades identificadas na situação, como por exemplo, ofertar orientações relacionadas com o tema, como prevenção da transmissão, riscos de transmissão, tratamento e demais cuidados.

Importante considerar sobre as questões éticas relacionadas com o caso. O usuário está confortável em discutir esta problemática com os demais membros da família? Outra intervenção poderia ser uma escuta qualificada por um profissional da equipe, para compreender qual a situação do portador do vírus do HIV e se existe negação da doença, ou até mesmo conflitos relacionados. Neste aspecto, mais uma vez, a construção do PTS em equipe é de grande importância, pois permite a equipe discutir em conjunto quais estratégias irão adotar para situação de acordo com a necessidade apresentada (D).

O HIV/AIDS, por tratar-se de uma doença estigmatizadora, várias são as dificuldades para que ocorra o cuidado e estas perpassam pelo medo de contágio até a fragilidade dos diversos serviços de referência. Podem-se identificar muitos desafios para a construção de uma nova prática com esses usuários, sobretudo na busca de uma nova cultura de atendimento. O cuidado da equipe multiprofissional ao portador de HIV/Aids deve ser conduzido a partir de um agir humanitário e igualitário, embasado na premissa de que a pessoa que vive com HIV é um cidadão igual a qualquer outro, porém diferenciado no que tange a sua doença (A)².

Referências:

  1. Brasil. Biblioteca Virtual em Saúde. Atenção Primária à Saúde. Telessaúde Brasil Redes. NUTES Pernambuco. Segunda Opnião Formativa (SOF). ID: sof-35883, 08 fev 2017. Disponível em: <http://aps.bvs.br/aps/qual-o-papel-do-agente-comunitario-de-saude-no-acompanhamento-de-pacientes-portadores-do-hiv/>. Acesso em 05 de abril de 2019
  1. Silva, Jaqueline Miranda Barros; et al. O cuidado da equipe multiprofissional ao portador de HIV/aids. Rev. Baiana de Enfermagem. Salvador, v. 25, n. 2. 2011. Disponível em: <http://www.portalseer.ufba.br/index.php/enfermagem/article/viewFile/5236/4476>. Acesso em 05 de abril de 2019
  1. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. HIV/Aids, hepatites e outras DST / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica. – Brasília: Ministério da Saúde, 2006. 196 p. il. – (Cadernos de Atenção Básica, n. 18) (Série A. Normas e Manuais Técnicos). Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/abcad18.pdf Acesso em 05 de abril de 2019.

Teleconsultoria respondida por: Sávia Souza Machado, teleconsultora de enfermagem. Enfermeira sanitarista, mestre em Saúde Coletiva, Residência Multiprofissional em Saúde Coletiva e especialista em Gestão do Trabalho e Educação Permanente em Saúde.