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Os recém-nascidos triados através do Teste do Pezinho serão reconvocados quando tiverem resultado alterado. O Serviço Social do SRTN ( Serviço de Referência em Triagem Neonatal) responsável pela busca ativa será informado pela equipe do laboratório dos casos que estiverem com os resultados alterados, para que este entre em contato com o município para realização de novo exame e confirmação diagnóstica. O objetivo é trazer o recém-nascido em tempo hábil para a confirmação diagnóstica, introdução do tratamento dos casos confirmados, possibilitando a prevenção das possíveis complicações.¹

A equipe da busca ativa da APAE faz contato telefônico com o posto de coleta e envia comunicado para a Secretaria de Saúde do Município, informando a suspeita e solicitando a localização do paciente e o agendamento de consulta no SRTN da APAE Salvador para atendimento com Hematologista Pediátrico e repetição do exame no RN e exame dos pais.¹

Uma vez confirmado o diagnóstico de doença falciforme, a criança deverá ser acompanhada pela equipe de atenção básica e também pelo Hematologista ou serviço de referência para doença falciforme. São várias as especificidades deste acompanhamento, de modo que disponibilizarei os manuais do Ministério da Saúde sobre o acompanhamento de portadores da doença. Destaco que a equipe deve recomendar a suplementação profilática de ferro, deve manter o calendário vacinal atualizado, orientar analgesia sempre que necessário e conhecer as complicações agudas da doença, uma vez, que a atenção básica é geralmente a porta de entrada das intercorrências agudas da doença.

A penicilina dada preventivamente reduz a taxa de infecção pneumocócica em crianças com DF de até 5 anos de idade. ¹ Profilaxia com penicilina benzatina ou V oral dos 4 meses até 5 anos de idade, conforme o seguinte esquema: ³

Penicilina V oral:

3 meses – 2 anos – 125mg 2 x/dia. ³

2 – 5 anos – 250 mg 2x/dia. ³

Penicilina benzatina: ³

3 meses – 2 anos – 300.000 UI 28/28 dias.³

2 – 5 anos – 600.000 UI 28/28 dias.³

Nas crianças alérgicas a penicilina: Eritromicina: 20mg/kg/dia (máx. 2g/dia), 12/12 h, via oral. ³

Segue quadro sugerindo o acompanhamento dos usuários portadores de doença falciforme: ³

Referências

  1. Manual de Práticas do Programa de Triagem Neonatal na Bahia. 2.ed. Salvador: APAE Salvador, 2010. [acesso em 21 março 2019] disponível em : http://www.apaesalvador.org.br/media/1481/2010-manual-srtn.pdf
  2. Brasil. Ministério da Saúde. PORTARIA CONJUNTA Nº 05, DE 19 DE FEVEREIRO DE 2018. Aprova o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Doença Falciforme [ acesso em 21 março 2019] disponível em: http://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2018/fevereiro/22/Portaria-Conjunta-PCDT-Doenca-Falciforme.fev.2018.pdf
  3. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Especializada. Doença falciforme: condutas básicas para tratamento / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Especializada. Brasília : Ministério da Saúde, 2012. [acesso em 21 março 2019] disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/doenca_falciforme_condutas_basicas.pdf
  4. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Especializa da. Manual de eventos agudos em doença falciforme / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Especializada. – Brasília : Editora do Ministério da Saúde, 2009. 50 p. : il. – (Série A. Normas e Manuais Técnicos)[acesso em 21 março 2019] disponível em: https://www.nupad.medicina.ufmg.br/wp-content/uploads/2016/12/Manual_Eventos_DF_MS.pdf
  5. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Hospitalar e de Urgência. Doença falciforme: o que se deve saber sobre herança genética / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Hospitalar e de Urgência – Brasília : Ministério da Saúde, 2014. [acesso em 21 março 2019] disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/doenca_falciforme_deve_saber_sobre_heranca.pdf
  6. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Hospitalar e de Urgência. Doença falciforme: diretrizes básicas da linha de cuidado / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Especializada e Temática. – Brasília: Ministério da Saúde, 2015.[acesso em 21 março 2019] disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/doenca_falciforme_diretrizes_basicas_linha_cuidado.pdf
  7. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Especializada e Temática    Doença falciforme : orientação sobre o uso de sulfatoferroso em crianças / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Especializada e Temática – Brasília: Ministério da Saúde, 2015.[acesso em 21 março 2019] disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/doenca_falciforme_orientacao_uso_sulfato_ferroso_criancas.pdf

Teleconsultoria respondida por: Andréa Souza Perez Granja, Médica de Família e Pediatra, Teleconsultora Médica do Telessaúde BA-FESF-SUS/SESAB, graduada em Medicina pela Escola Baiana de Medicina e Saúde Pública, título de especialista em Medicina de Família e Comunidade pela SBMFC, residência em Pediatria pelo HUPES.