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Existem recomendações para atendimento à gestante e estas devem ser analisadas, criteriosamente, pelo cirurgião-dentista que a acompanha. Quanto às exodontias (ou cirurgias), não são contraindicadas, mas deve-se avaliar a possibilidade de realização do procedimento após a gravidez². Os fármacos de uso odontológico, como os anestésicos locais, os ansiolíticos, os analgésicos, os anti-inflamatórios e os antibióticos, passam até com certa facilidade da fase materna para a fase fetal, por serem moléculas de baixo peso molecular e lipossolúveis¹.

Os profissionais de saúde bucal devem trabalhar de forma integrada com os demais profissionais da equipe de saúde e, no que se refere à gestante, trabalhar em constante interação com os profissionais responsáveis pelo seu atendimento (Ministério da Saúde).

São importantes os seguintes aspectos, em cada período da gravidez, no que tange ao planejamento odontológico de acordo com orientações do Ministério da Saúde²:

1º trimestre: Período menos adequado para tratamento odontológico (principais transformações embriológicas). Neste período, evitar, principalmente, as tomadas radiográficas. Entretanto, quando necessário, como método auxiliar de diagnóstico, realizar a radiografia tomando as devidas precauções, tais como, o uso de avental de chumbo, protetor de tireoide e filmes de exposição ultrarrápida².

2º trimestre: Período mais adequado para a realização de intervenções clínicas e procedimentos odontológicos essenciais, sempre de acordo com as indicações.

3º trimestre: É um momento em que há maior risco de síncope, hipertensão e anemia. É frequente o desconforto na cadeira odontológica, podendo ocorrer hipotensão postural. Assim, é prudente evitar tratamento odontológico nesse período.

Entendendo que a gestação é um acontecimento fisiológico, com alterações orgânicas naturais, impõe-se aos profissionais da saúde a necessidade de conhecimento para uma abordagem diferenciada. O estado de saúde bucal apresentado durante a gestação tem relação com a saúde geral da gestante e pode influenciar na saúde geral e bucal do bebê².

Toda gestante deve ser orientada sobre a possibilidade de receber atenção em saúde bucal. Para tanto, é fundamental a interação da equipe de saúde bucal com a equipe multiprofissional da unidade de saúde². Sempre que possível, deve ser feito o contato com o médico responsável pelo acompanhamento da gestação da paciente, para troca de informações, visando ao plano de tratamento odontológico e a avaliação da relação risco/benefício potencial, quanto ao uso de medicamentos¹. Esta conduta, além de ética, tem um efeito psicológico de extrema importância na gestante.

 

Referência:

  1. ANDRADE, ED. Terapêutica medicamentosa em odontologia. São Paulo: Artes Médicas, 2014.
  2. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Saúde Bucal. Série A. Normas e Manuais Técnicos Cadernos de Atenção Básica – nº 17 – 2008.

Sumário de evidências: GRAU: A

Estratégia de busca: Atenção Básica; Saúde Bucal; Gestante; Exodontia.

Teleconsultoria respondida por: Adeilda Ananias de Lima, Cirurgiã-dentista, Teleconsultora de Odontologia do TelessaúdeBA, graduada em Odontologia pela ASCES Odontologia – PE, Especialista em Saúde Integral à Família com ênfase na Estrategia da Saúde da Família pela EBMSP e Especialista em Saúde Coletiva pela Uninter-PR.