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A fluorose dental é definida como um distúrbio específico na formação do dente causado pelo consumo crônico de flúor durante a fase de formação dental (6). A fluorose dentária leve causa apenas mudanças estéticas, marcadas por pigmentação branca no esmalte dentário³. A fluorose moderada e severa, caracterizada por manchas amarelas ou marrons, além de imperfeições estruturais no esmalte, apresenta repercussões estéticas, morfológicas e funcionais (MOYSÉS et al., 2002)³.  A fluorose não é considerada, atualmente, um problema de saúde pública, pois os casos apontados na literatura atual indicam predomínio de fluorose nos graus muito leve ou leve, não impactando no aspecto ou na função dentária². A aparência clínica da fluorose leve inclui a presença de estrias brancas, difusas, opacas e bilaterais que correm ao longo do esmalte. Nas formas mais graves, o esmalte pode apresentar-se manchado.

A variada exposição aos fluoretos (forma iônica do elemento químico flúor), implica maior risco de desenvolvimento da fluorose dentária, em diferentes graus, e, portanto, requer a adoção de práticas de uso seguro, consciente e cauteloso³. O objetivo final de todos os meios de utilização de F, sejam direcionados a populações ou indivíduos, é a manutenção do íon flúor na cavidade bucal, para interferir no desenvolvimento da cárie dentária (CURY; TENUTA, 2008)³. O conhecimento desse mecanismo de ação é imprescindível para nortear a correta indicação de uso de F a partir de diferentes meios. A exemplo da fluoretação das águas de abastecimento público que está implementada no Brasil por lei Federal (Lei Federal Nº 6.050, de 24 de maio de 1974), sendo a base da política pública de uso coletivo de fluoreto (4). Ressalta-se que o efeito anticárie é garantido pela passagem do fluoreto pela cavidade bucal quando a água fluoretada ou alimentos preparados com ela são mastigados e ingeridos e o fluoreto absorvido retorna à cavidade bucal pela secreção salivar (4).

Os fluoretos são os principais responsáveis pelo declínio da cárie dentária em países desenvolvidos e também no Brasil³. Além da redução da prevalência da cárie, o F age reduzindo a velocidade de progressão de novas lesões³.

A abo-odontopediatria recomenda que as aplicações profissionais de géis e vernizes fluoretados sejam feitas em pacientes com alto risco ou atividade de cárie (4). A periodicidade semestral encontra embasamento científico, porém devido à falta de estudos avaliando outros protocolos, o profissional deve estabelecer a frequência de retorno de seu paciente com base em avaliação individualizada de seu risco de cárie.

A Política Nacional de Saúde Bucal tem como eixos orientadores ações de promoção e proteção à saúde, incluindo a fluoretação das águas, educação em saúde, higiene bucal supervisionada, aplicações tópicas de flúor e recuperação e reabilitação da saúde bucal³. O problema da cárie dental no Brasil assume dimensões que são determinadas pelas precárias condições sócio-econômicas da maioria da população, as quais dificultam ou impedem o acesso à alimentação adequada, as informações sobre saúde, e até mesmo a produtos básicos de higiene bucal. Contudo, a maioria da população tem acesso a serviços de assistência odontológica e consultas eventuais para resolução de problemas de urgência, estando à margem de cuidados sistemáticos que enfatizam medidas preventivas e a educação em saúde.

Referência

  1. Brasil. Fundação Nacional de Saúde. Manual de fluoretação da água para consumo humano / Fundação Nacional de Saúde. – Brasília : Funasa, 2012.
  2. Saúde Coletiva: Métodos Preventivos para Doenças Bucais – Léo Kriger/ Samuel Moysés/Simone Mousés. Editora Artes Médica, 2013.
  3. Guia de Recomendação para o Uso de Fluoretos no Brasil – Ministério da Saúde – 2009.
  4. Manual de referência para procedimentos clínicos em odontopediatria / coodenadores Maria de Lourdes de Andrade Massara, Paulo César Barbosa Rédua. – 2. ed. – São Paulo:Santos, 2014.
  5. Odontologia baseada em evidências e intervenção mínima em odontologia / Organizadores: Léo Kriger, Samuel Jorge Moysés, Simone Tetu Moysés; coodenador, Maria Celeste Morita – Série ABENO – Ed. Artes Médicas / 2016.
  6. http://aps.bvs.br/teleconsultor/equiequipe-telessaude-rs/?post_type=aps&l=pt_BR Núcleo de Telessaúde do Rio Grande do Sul | 04 fev 2010 | ID: sof-3758

Teleconsultoria respondida por:Adeilda Ananias de Lima, Cirurgiã-dentista, Teleconsultora de Odontologia do TelessaúdeBA, graduada em Odontologia pela ASCES Odontologia – PE, Especialista em Saúde Integral à Família com ênfase na Estrategia da Saúde da Família pela EBMSP e Especialista em Saúde Coletiva pela Uninter-PR.